Desde que me entendo por gente sempre fui (ainda sou!) intrometida. Metia meu bedelho em tudo. Medo era uma palavra que não existia no meu dicionário. No que tange ao mundo “animal”, nem se fala. Em criança convivi com cavalos,aos 6 anos meu pai me largou em cima de um, se não me tirassem de lá, estaria até hoje. Tirei leite e tomei corrida de vaca com “bezerro no pé”, até hoje gosto do cheiro de pasto e curral.
Galos e galinhas, vivia no meio deles, tomei surra de galo, duas, por sinal. Adorava atazanar a vida de um ganso que tinha lá em casa. Sempre fui “miúda” (hoje sou “redonda”), agarrava o ganso pelo pescoço e sentava à cavalo nele, depois o soltava e pernas pra que te quero, pois o bicho alçava vôo atrás de mim. Pássaros, conheço muitos, pois meu pai tinha vários, inclusive viveiros (por favor defensores, não me crucifiquem, isso tem uns 40 anos). Cresci um pouco e ganhei um Caburé, que criei com gosto. Sem falar dos pombos, coelhos e cães.

E isso era mal de família, pois uma tia-avó minha criou 2 Irerês em apartamento e ainda enchia a banheira para elas nadarem. Lá em casa só não tinha gato. Pela minha vida passaram, além de 3 maridos, um gavião, gambás, cobras, ratos, uma gaivota resgatada da praia Vermelha/RJ, rãs, sapos, preás , hamster , porcos, papagaio e periquito.
Até filhote de leão tive o prazer de segurar e afofar. Olha o cabelo a "la Simone", chique,né?
Os gatos entraram na minha vida depois dos 25 e não saíram mais. Para deixar bem claro, nunca tive medo de por a mão, olhar, cheirar ou chegar perto de animais, inclusive em zôo e exposições eu sou um perigo , dá para imaginar, né? Já burra velha, morei num sítio aqui em Poa e tive galinhas, gansos e cabras, todos tinham nome e nenhum foi pra faca. Passo o ano doida para chegar setembro e me enfiar na Expointer. É um dia de diversão, quando volto pra casa, minha" turma" só falta me tirar pedaço de tanto cheirar.
Sou daquelas que usam um método muuuiito antigo para ver se a galinha vai por ovo no dia, precisa explicar? Como tive um relacionamento com um veterinário, por quatro anos, imaginem, que dei vazão ao meu lado “House” e até hoje castro os meus machos (entenda-se cães e gatos), costuro e faço outros procedimentos pequenos e emergenciais em casa. Vet é a ultima opção.
Agora, depois de todo esse relato, me respondam: por que tenho MEDO,PAVOR E NOJO de baratas? Por que superei tanta coisa na minha vida, menos o horror a esse ser asqueroso? Adivinhem, essa noite, não dormi por causa de uma. Seque algumas fotos das minhas incursões no reino animal, pena que naquele tempo era a Love ou a Kodak, lembram?
Por fim, fica o desejo que a Julia siga os meus passos, menos no medo.